NOVAS TERRAS E NOVOS JARDINS: AS FLORES DE PLÁSTICO NÃO MORREM

Alexandrina Monteiro

Resumo


Pretendemos problematizar a matemática moldada e plastificada pelo movimento da ciência moderna que, no âmbito escolar, ficou imobilizada pelo discurso da verdade final, inquestionável o que a levou a se tornar rainha imortal e infalível das ciências. Defendemos a tese de que a realeza matemática tem buscado ocultar os seres vivos considerados falíveis, portanto não verdadeiros. Porém apoiamos o fato de que apesar de todo o esforço, o paisagismo plástico não consegue dominar a força da vida que como erva daninha emerge nas fendas e chega, algumas vezes, a se sobrepor às lindas flores de plástico do moderno jardim do castelo. A erva travessa que brota do ninho de forma insubordinada oxigena o espaço, abre fendas, rasgos e abala o castelo. Assim, apostamos na ampliação das ervas e na resistência das podas que sofrem. Defenderemos sua fertilização a partir de conceitos deleuzianos inspiradores, em especial no conceito de menoridade, muito bem explorado e fertiliz;do por Gallo (2002) na proposta da educação menor. Entendemos ser esta uma possibilidade de fortalecer as flores, as ervas, a vida. Vida de um jardim que pode morrer, murchar, florir, mas jamais imobilizar ou estagnar ou impedir o acesso ao castelo e à rainha.

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Linha Mestra Associação de Leitura do Brasil (ALB)
e-ISSN: 1980-9026
DOI: https://doi.org/10.34112/1980-9026

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